O ódio que nos move | Palpitando

02/03/2014 | Palpitando

Por João Paulo Modesto 


Entre tanta disputa, nada saudável, que acontece pelas redes sociais e veículos oficiais de notícia, muitas vezes eu me dou ao luxo de apenas observar. E não me diferencio da grande maioria, exceto pelo interesse de construir uma crítica a respeito do que se passa.

A observação atenta dos fatos acabará fatalmente por nos levar à habilidade de manipulação de alguns grupos sobre a grande massa. Mas, um discurso sobre a maneira como a oligarquia política domina a sociedade dando-lhes a impressão que eles são quem tem o poder, parece redundante e repetitivo. Melhor é falar a respeito do sentimento que move esta massa e que tem nos movido através dos tempos, além de principal responsável por nossa evolução, ou falta dela: O ódio.

Em nossas reuniões escolares e religiosas, aprendemos que o amor é o sentimento que move o mundo. Eu me atrevo a dizer que isto não passa de um lindo discurso, o ódio é que se encarrega deste fardo. Pense nos maiores acontecimentos históricos: revolução francesa, revolução russa, segunda guerra mundial, revolução de 1930, golpe militar de 1964, marcha dos 100 mil; a lista é interminável. Todos, movimentos idealizados e liderados pelo ódio.

Não significa que todos são compostos simplesmente por tal sentimento, mas os habilidosos mestres da manipulação sabem que a maneira mais fácil de conseguir aglomeração e defensores de um ideal, é despertar-lhes o ódio adormecido.

Em comparações das mais diversas opiniões sobre o atual governo e outros acontecimentos fica fácil perceber que a bola da vez é a guerra contra as elites, o que não é nenhuma novidade, mas não deixa de ser genial, já que é a definição deste adjetivo é facilmente adaptável às mais diversas classes econômicas e sociais. Pense! Assim como você, cidadão de classe média, que odeia a elite empresarial e política que ganha rios de dinheiro a custa dos seus impostos, para outro grupo que não foi agraciado com a possibilidade do carro e casa próprios, a elite dominante e sugadora que cresce a custa do trabalho das massas é justamente você.

Vendo por este ponto de vista, podemos perceber que a “guerra” encenada por aqueles que dizem nos representar nunca foi entre eles. Somos nós que nos definhamos todos os dias, destruindo nossa própria unidade, levantando discussões nem sempre inúteis, mas que são direcionadas às pessoas erradas.

Esta é uma tática de guerra muito conhecida por estrategistas e nós mordemos cada vez mais a isca. “Confundir para destruir” é assim que somos levados às ruas em protestos que geram grandes comentários e transtornos, mas nunca conseguimos mudar o quadro de dirigentes do país, porque nós discutimos com os únicos que podem realmente nos dar força para mudança.

Nós precisamos mudar nosso próprio grupo antes de querer mudar nosso país. Mas esta não uma discussão para este momento, precisamos nos distrair e adiar um pouco mais, o carnaval está chegando para que possamos nos divertir e esquecer. E logo vem a quaresma, não é momento para brigas. Quem sabe depois da Copa do Mundo, da campanha eleitoral ou do ano novo?




  João Paulo Modesto é Funcionário Público, estudante de Administração.
entre em contato: facebook/modestojp  @modestojp 

 




Compartilhe:


 



Comentários: