QUANDO A ARTE TE FAZ PARAR
 

·         Hoje, caminhando com duas amigas por uma das passarelas da faculdade, um moço sentado no chão produzindo suas artes para vender nos parou. Ele perguntou se gostávamos de arte, respondemos que sim, claro. Logo depois, questionou se poderíamos ajuda-lo, com qualquer valor e demos a ele algumas poucas moedas que tínhamos. Ele perguntou se preferíamos um anel ou um chaveiro e, com um fio de cobre entre os dedos e uma espécie de alicate, fez, em poucos minutos, a opção que escolhemos. Ele nos entregou três chaveiros iguais que formavam uma nota musical. “O mundo sem a música não seria o mesmo”, disse ele.
  Esse é o momento que vocês estão tentando entender aonde quero chegar com essa história. O que me fez escrever esse texto não foi o que demos ao moço, mas sim o momento vivido com ele. Isso me fez refletir sobre quem eu quero ser, tudo isso resultado da aura e das sábias palavras que ele partilhou conosco enquanto fazia sua arte, palavras que muitas pessoas escolhem não ouvir, passam direto, fingem que não escutam, se fazem de atrasadas. Talvez esse tipo de pessoa fosse eu meses atrás, talvez foi você há alguns anos, talvez seja você agora. E, por não ter sido esse tipo de pessoa hoje, pude conviver, mesmo que por minutos, com o significado da sabedoria, bondade, humildade e respeito e, para completar o combo de coisas boas, um chaveirinho. 

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·         É incrível o quanto poucos minutos com uma pessoa diferente, de cultura diferente é capaz de te fazer querer ser uma pessoa melhor, porque é disso que se trata, ser melhor como pessoa para ser melhor no resto das coisas. Esse moço, um hippie, disse: “Vocês sabem o que significa hippie? Significa coisa nova”. Era possível ver nos olhos dele o gosto por coisas novas, a capacidade se adaptar as mais diferentes situações, lugares e culturas. Capacidade que todos temos, mas que nem todos têm vontade de usar. “Eu quero viajar não só o Brasil, mas o mundo. Eu quero apenas viajar e aproveitar o que a vida tem pra me oferecer. ”, e mais uma vez eu via nas palavras dele mais coisa boa, a vontade de viajar, expandir as fronteiras da vida e tudo isso sem pensar no luxo e sim na riqueza proporcionada pelas experiências.
Cada frase que ele pronunciava me fazia querer tender ao melhor como pessoa. Perdemos coisas boas por escolha própria, deixamos de ser pessoas melhores por escolha própria. Todo mundo erra (um clichê essa frase, eu sei), no entanto o que vai te diferenciar de todo mundo ao errar será analisar seus próprios erros e pedir desculpas, consertar, melhorar, não repeti-los. Será ter ignorado uma pessoa, voltar para se desculpar, conversar e na próxima não ignorar novamente. Então, seja melhor por escolha própria.


Carol Oliveira