Acidente entre Montevidiu e Iporá mata 12 e fere 30, confira o vídeo!
Acidente na GO-174, ocorrido ontem por volta de 17h30, entre Montividiu e Iporá, a 280 km de Goiânia, envolvendo duas carretas carregadas de soja e um ônibus escolar que trazia alunos da zona rural, deixou 15 mortos e outros 30 feridos, totalizando 42 envolvidos no acidente. Entre as vítimas estão 09 crianças com idades entre 5 e 12 anos, todas moradoras da zona rural de Montividiu que voltavam do primeiro dia de aula na cidade. Também morreram no acidente o motorista do ônibus e José Martins dos Anjos, 56, motorista que dirigia uma das carretas. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), esta é a pior tragédia já ocorrida envolvendo crianças em rodovias do Estado.

Conforme a PRE, o acidente aconteceu no km 62, sobre a ponte do Rio Verdão, distante 10 km de Montividiu. O ônibus placas GLY 7910, do município, que fazia a linha Montividiu-Ponte da Pedra-Assentamentos, conduzido por um homem indentificado apenas como Lázaro, retornava da cidade com alunos moradores da zona rural, quando, na passagem pela ponte, colidiu de frente com a carreta conduzida por José Martins.

Esta, depois de se chocar na traseira do outro caminhão, um bitrem conduzido por Ricardo Martins Neves, perdeu o controle, colidindo com o ônibus. O motorista do veículo do transporte escolar, para não bater no caminhão bitrem, teria jogado o veículo para a outra pista, quando colidiu com a carreta, provocando a tragédia.

Segundo a Polícia Civil de Rio Verde, presente no local do acidente para perícia, tacógrafo comprovou que Ricardo Martins estava em velocidade moderada para a rodovia, onde a máxima permitida é de 80 km/h, quando foi colhido pelo caminhão carregado de soja conduzido por José Martins. As duas carretas faziam o trajeto Iporá – Montevidiu quando aconteceu o acidente. Ricardo, em depoimento na delegacia de Rio Verde, disse que o motorista da outra carreta tentou ultrapassá -lo e, não conseguindo, teria tentado voltar, quando então bateu na traseira. Segundo uma testemunha que chegou ao local minutos após o acidente, a cena parecia a de um filme de terror. Crianças foram lançadas para fora do ônibus, que ficou parcialmente destruído. Os corpos de algumas delas estavam atravessados por partes de madeira do caminhão, que teve a cabine do motorista completamente destruída. Já os corpos dos motoristas dos dois veículos ficaram presos às ferragens.    

De acordo com o tenente William, que prestou atendimento às vítimas no local do acidente, há possibilidade de crianças terem caído no Rio Verdão, pois não se sabe ao certo quantos passageiros o ônibus trazia, uma vez que as escolas não haviam fornecido o número exato. “Se algum pai não encontrar o filho entre os feridos ou mortos, iniciaremos buscas pela manhã”, ressalta o tenente sobre a possibilidade de crianças terem sido lançadas no rio. No entanto, moradores de rua que estavam debaixo da ponte no momento do acidente informaram, categoricamente, não ter caído nenhum corpo no rio. O Corpo de Bombeiros atendeu os 45 envolvidos no acidente, dentre eles, uma criança de aproximadamente cinco anos e um adolescente de 12, em estado grave, além dos óbitos. Foram tantas mortes que carros de funerárias, precisaram auxiliar o IML e Bombeiros a trazerem as vítimas para o IML de Rio Verde. Todos foram levados para o único hospital em Montividiu e transferidos logo depois de receberem os primeiros atendimentos para outros três hospitais de Rio Verde: Hospital Doutor Gordom – antigo Evangélico –, Hospital Santa Terezinha e Hospital Municipal da cidade. Algumas vítimas com menor gravidade permaneceram em Montividiu.

Segundo o Corpo de Bombeiros, nesta segunda-feira, dia 1º de fevereiro, foi o primeiro dia de aula nas quatro escolas municipais de Montevidiu que estudavam os envolvidos no acidente: Escola Maricota, Armando Gomes, Carlos Barromeu e Geralda Cruvinel Leal, e por ser o primeiro dia, a contagem dos alunos que fariam o trajeto de volta para casa não foi realizada pelas professoras das escolas. Diretoras e professoras das quatro escolas e ainda as autoridades de Montividiu estiveram no local do acidente para ajudar nas indentificações dos mortos e ferido, uma vez que alguns pais só souberam da tragédia horas depois do acontecido.

Segundo o cabo Valmisom Queiros, do 4º BBM do Corpo de Bombeiros de Rio Verde, que há 15 anos trabalha na corporação, esta foi de fato a maior tragédia em rodovias goianas envolvendo tantas mortes de crianças. Segundo Queiros, todas as viaturas dos Bombeiros foram atender às vítimas do acidente e as chamdas de emergências solicitadas via 193 para a corporação ficaram sem atendimento por algumas horas. “Tantos anos trabalhando na corporação, e ainda fico chocado quando preciso atender ocorrências com crianças”, afirma o cabo. Também ajudaram no socorro às vítimas viaturas da PRE e do Samu, que  enviou todos os veículos disponíveis no dia para o local.

A Polícia Técnico-científica também permaneceu no local para averiguar as possíveis causas do acidente. Segundo o delegado Nilo Fabiano Carvalho e Oliveira, da regional de Rio Verde, que esteve presente na perícia técnica, tudo indica que a carreta conduzida por José martins tenha sido a causadora da tragédia. Teria havido falha nos freios do veículo. Segundo Carvalho, a polícia vai investigar as causas que fizeram a carreta bater contra a outra e atravessar a pista. O laudo de conclusão pode demorar até um mês para sair. O Corpo de Bombeiros informou que uma testemunha teria afirmado que o motorista da carreta que morreu no acidente teria consumido álcool logo depois realizar o carregamento do veículo, motivo esse que pode ter sido uma das causas do acidente. Essa versão ainda não pode ser confirmada pela perícia.

Conforme a PRE, no local já aconteceram outros acidentes com vítimas fatais, mas esse seria com certeza o maior deles nos últimos anos. Os policiais descrevem a ponte como sendo uma parte perigosa da rodovia GO-174. Quem trafega no local, nos dois sentidos, costuma desenvolver alta velocidade e, tratando-se de uma curva acentuada, quando os veículos chegam na ponte, pode haver colisão frontal.

O reconhecimento das vítimas foi realizado ainda na noite de ontem no IML de Rio Verde. A prefeitura de Montividiu providenciou transporte para que os parentes das vítimas do acidente fossem reconhecer os corpos. Até o fechamento desta edição, os nomes não haviam sido revelados por falta de averiguação de documentos.

Houve tumulto no hospital local. Mães desesperadas buscavam informações. Moradores da região ficaram consternados com o acidente. Populares repetiam que é a maior tragédia ocorrida no Sul de Goiás. Mas a maior comoção foi no IML de Rio Verde, onde os pais das crianças mortas faziam o reconhecimento dos filhos. Segundo Fabiano, que auxilou no reconhecimento, uma mãe passou mal e precisou de atendimento, porque não acreditava que o filho estaria morto. O transporte escolar é o único meio de conduzir crianças da zona rural na região para a escola na cidade.

Fonte: DM Online

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