Itaberaí com braços abertos ao desenvolvimento - Barbosa Neto

Itaberaí se consolida cada vez mais como polo de desenvolvimento no Estado de Goiás. Exemplo recente foi o lançamento da 3ª edição da Festa da Uva de Goiás no último dia 6. O evento acontece pela segunda vez consecutiva na cidade e, para este ano, é esperada a presença 50 mil pessoas. Um roteiro de carreatas, palestras, shows, exposições, gastronomia, oficinas e várias outras atrações espera o público que for a Itaberaí prestigiar a festa nesta semana.

Vem de muito tempo a vocação do município para o crescimento. A dedicação ao trabalho e ao progresso está enraizada na história da cidade e de seus habitantes. Itaberaí nasceu e se desenvolveu com a descoberta das primeiras minas de ouro do Rio Vermelho. Como o transporte era feito a pé ou a cavalo, os mineradores necessitavam de lugares para descansar entre uma viagem e outra. Foi quando surgiu uma pousada com um curralzinho a 40 quilômetros da cidade de Goiás, onde hoje é Itaberaí.

O relevo plano e propício para a agropecuária atraiu os primeiro colonos ainda no século 18. Toda a produção de Curralinho, como ficou conhecida a região, era consumida pelos milhares de garimpeiros que trabalhavam no Rio Vermelho. Em 1868 o povoado foi emancipado e, em 1924, batizado com o nome de Itaberaí.

O nome Itaberaí significa rio das pedras brilhantes em tupi-guarani, uma homenagem ao rio que banha a cidade. A presença abundante de água também foi um dos fatores que contribuíram para o crescimento da região. O município faz parte da bacia hidrográfica do Tocantis. Além do rio das Pedras, o rio Uru, que faz a divisa entre os municípios de Goiás e Itaberaí, é considerado como a principal nascente do Rio Tocantins.

O município ainda tem na agricultura e pecuária as forças motrizes de sua economia. Itaberaí destaca-se na produção de soja, milho, feijão, tomate, goiaba, cana e laranja. A pecuária avança na região com a modalidade de confinamentos (pecuária intensiva) e pecuária extensiva. É também uma das mais importantes bacias leiteiras do Estado. Essa diversificação das atividades agrícolas dinamizou a cidade e a possibilitou a geração de empregos e maiores investimentos.

A vitivinicultura cresce a passos largos no Estado graças à produção na região de Itaberaí. Há alguns anos era impensável a viabilidade dessa cultura em terras goianas, mas, assim como o café, a uva se adaptou bem ao cultivo no Cerrado. Dos 600 hectares cultivados da fruta em 2010, a cidade foi responsável por 104, liderando a produção no Estado.

Os números impressionam porque, há alguns anos, ninguém pensava na vitivinicultura como um negócio rentável em Goiás. Esse investimento ousado só poderia ter em Itaberaí as condições ideais para prosperar. Hoje, a região reúne 250 produtores em 30 municípios. A produção de uvas chega a 30 toneladas por hectare.

O setor de avicultura se destaca também. O rebanho de aves chegou a mais de três milhões de cabeças em 2008, com mais de 100 mil frangos abatidos por dia. A atividade alavancou o crescimento da cidade, com a criação de mais de dois mil empregos diretos e indiretos. Com localização privilegiada, Itaberaí tem como principal via de escoamento rodoviário a BR-070. A rodovia sai de Brasília e é a porta de entrada para o Mato Grosso, indo até Cuiabá.

Toda essa bonita trajetória é motivo de orgulho para os itaberinos. A cidade tem também na cultura um dos seus pontos fortes, já que também foi um dos berços da origem de Goiás. A Casa de Cultura Coronel João Caldas reúne o Museu Histórico de Itaberaí (com centenas de peças, documentos e fotografias sobre o passado da cidade), o Arquivo Histórico de Itaberaí, a Biblioteca Eliezer Pinheiro de Abreu e a Seíta (Sociedade Ecológica de Itaberaí) e a sede da Academia Itaberina de Letras e Artes (Aila), fundada em 5 de junho de 1993.

A Academia faz um valioso trabalho no sentido de incentivar o resgate da cultura e memória histórica de Itaberaí. Nasceu do esforço dos queridos Antônio César Caldas Pinheiro, Hélio Caldas Pinheiro, Thêmis Augusta Barbosa e Silva, Maria das Graças Morais, Jurede Antônio de Lima, Ricardo Pinheiro de Abreu e Dulce Paiva de Souza. Eles se reuniram para escrever o estatuto da entidade e transformaram um sonho em realidade. Desde sua fundação a Aila cumpre religiosamente com seu dever de dar aos itaberinos a dimensão de sua origem e força histórica.

Precisamos resgatar essa vontade de realização para Itaberaí na política. Hoje, a cidade não conta com nenhum representante nas esferas estadual e federal. Os que contaram com nossa ajuda, nos viraram as costas. Nessas horas, como é bom lembrar de parlamentares do cacife de Nicanor de Faria e Silva, do meu pai, Sebastião Augusto Barbosa Filho e do Coronel João Elias da Silva Caldas. Este último influenciou a vida política de Itaberaí por 50 anos! Estes homens trabalharam decisivamente pelo nosso município. Me orgulho de, como eles, ter contribuído com minha parcela de ajuda para melhorar nossa cidade.

Um Estado forte não é feito apenas com três ou quatro cidades importantes. O trabalho dos bons governantes passa por entender a vocação intrínseca de cada região e agir no sentido de desenvolvê-las. O interior não pode ser encarado como um grotão isolado, cuja função é apenas convergir à Capital. Itaberaí mostrou como cidades pequenas podem se transformar em pólos de desenvolvimento econômico e cultural. São como crianças que aprendem a andar. Depois que começam, ninguém as para mais.
 

Barbosa Neto é candidato a deputado federal pelo PSB e presidente regional do partido


Fonte: dm.com.br