Menino de 13 anos é morto por engano em Inhumas
Dois jovens foram mortos a tiros em Inhumas. Os crimes ocorreram na noite de domingo (15). O primeiro homicídio vitimou Gustavo Rosa Antunes, de 13 anos. O menino estava com amigos e primos na Rua 22, na Vila São José, onde mora,  por volta das 17 horas, quando dois homens em uma moto passaram atirando. Três outras pessoas foram feridas sem gravidade. Gustavo recebeu um tiro fatal no peito.


O outro assassinato ocorreu na Praça do Estudante, no Centro da cidade, às 21 horas, em um ponto de encontro dos moradores, principalmente jovens, devido à concentração de bares no local. A vítima foi Romilson dos Santos Ferreira, 23. O jovem seria o condutor da moto que levava o assassino de Gustavo. O rapaz recebeu três tiros: uma bala acertou a nuca, e as outras duas atingiram o tórax. Além de Romilson, teria participado do tiroteio na Vila São José um homem conhecido como Alanzinho. Segundo os moradores da Vila, Alan é uma pessoa perigosa, que já tem passagens pela polícia. O titular da Delegacia de Inhumas não se encontrava na sede da DP. Os policiais disseram que nada podiam adiantar sobre o caso, para não atrapalhar as investigações.
Na Vila São José, a morte de Gustavo causou perplexidade. Parentes e amigos afirmaram que ele foi vítima de balas disparadas a esmo. “Até agora, não consigo entender como uma pessoa pode sair atirando em inocentes. Nunca esperei que isso fosse acontecer com meu primo, um menino que nunca teve envolvimento com nada de errado. O que peço a Deus é que o assassino seja encontrado pela polícia e fique preso. É um risco para a sociedade”, desabafou S., de 32 anos, que preferiu não se identificar. Outro primo de Gustavo, F.,15, presenciou a morte do menino e diz que o assassino atirava sem mirar em alguém. “Eles subiram a rua atirando para todos os lados. Quem estava na frente levou bala. Eu corri, e Gustavo também chegou a correr, mas o tiro pegou no coração dele”, contou.

Quadrilhas
Os moradores da Vila São José dizem que Gustavo foi vítima inocente de uma guerra de quadrilhas. Silvestre Pereira Santos, 42, militar, destaca que Inhumas tem a fama de ser uma comunidade pacata mas o crack está mudando o perfil do crime na cidade. “Tem duas gangues aprontando em Inhumas. Uma do bairro Brejinho e outra aqui da região. Por trás, está o crack. O Alan, que é suspeito de ter matado esse menino, foi ferido no rosto. Ele deve ter vindo para matar algum dos envolvidos e acabou matando o Gustavo, que não tinha nada ver com a rixa.” Gustavo era tido pelos amigos como um garoto bom de bola, com futuro garantido no meio. “Muito melhor do que eu”, garante o amigo J.N., de 13 anos. O treinador de futebol Luiz Antônio Pedro, que treinava Gustavo, confirma o jeito do menino com a bola. “Ele tinha noção de jogo e era muito disciplinado. Acredito que, bem trabalhado, poderia ser jogador profissional.” Luiz Antônio liderou um abaixo-assinado que reuniu 400 assinaturas em poucas horas. O objetivo é encaminhar pedido de providências ao Ministério Público e solicitar mais policiamento. Segundo moradores da Vila São José, é preciso acabar com os focos de crimes.

Fonte:Ivair Lima
Da editoria de Cidade do Jornal Diário da Manhã (17/08/2010)