Marconi Perillo e Iris Rezende vão para o 2º turno

A disputa pelo governo de Goiás será decidida em segundo turno, no próximo dia 31, entre dois ex-governadores. Com 100% dos votos apurados, o tucano Marconi Perillo obteve 46,33% dos votos válidos, enquanto o peemedebista Iris Rezende somou 36,38%. Em terceiro ficou o pepista Vanderlan Cardoso, ao somar 16,62%.Os votos brancos e nulos somaram 9,20% e abstenção foi de 17,94%.

Cenário

Marconi Perillo sagrou-se vencedor na primeira etapa de uma corrida contra a máquina pública e a união das esquerdas tradicionais (e decadentes) com o PMDB em Goiás, mas terá pela frente Iris Rezende embalado numa curva ascendente do terceiro colocado.  Vanderlan Cardoso (PR) é agora um homem, definitivamente, importante: seus votos serão disputados a dedo. Ele tende a seguir, ao lado do governador Alcides Rodrigues (PP), para grande implosão, pois a base aliada governista deve se dividir em 31 de outubro. Pepistas (fora Alcides e o derrotado candidato à federal Sérgio Caiado) ficariam do lado de Marconi Perillo. Apenas os caciques da legenda apoiariam Iris – o que não é será trunfo nenhum, pois Alcides Rodrigues detém avaliações negativas da população, conforme pesquisas de opinião pública.
 

Conforme o cientista político Itami Campos, o segundo turno federal e estadual serão processos absolutamente diferentes. “Na verdade, ocorreu uma coincidência quanto ao segundo turno, pois a eleição federal não tem relação com a disputa ocorrida aqui em Goiás”, diz o especialista em disputas de poder. Em outras palavras, não se espera movimentos concatenados na luta dos dois adversários. Deve ocorrer, claro, ações estratégicas de Dilma em Goiás em defesa de Iris Rezende, mas não se discute mais a hipótese de uma atuação personalizada para atacar Marconi Perillo. É simples: ela não terá tempo para Goiás. “É melhor para Marconi Perillo que ocorra o segundo turno para a disputa da presidência. Pois Dilma se concentrará nos colégios eleitorais mais importantes”, acredita Itami.

A equipe de Dilma já prepara ações no Entorno de Brasília, onde ela atenderia de uma só vez anseios eleitorais de Goiás e Brasília. Diga-se de passagem, foi ali, em 7 de setembro, que ela esteve e prometeu transporte, segurança e casas populares. É ali também que Iris deseja aumentar sua quantidade de votos também. Daí que a equipe da candidata petista já prepara ações nas cidades goianas mais próximas de Brasília. Se Iris parar de diminuir em Goiãnia e crescer no Entorno terá chances reais de vitória.
 
Articulação

O cientista político Luís Fernando Siqueira enxerga clima de acirramento político em Goiás semelhante ao ocorrido em 1998, quando Iris foi surpreendido pela vitória de Marconi Perillo. Na época, porem, o PMDB concorreu praticamente com chapa pura – sem PT e outras legendas significativas. “O PMDB é tradicionalmente partido de difícil articulação com forças conservadoras, mas terá que fazer tais conchavos nesta semana, caso contrário perde”, avalia Luís Fernando Siqueira. 

A explicação da dificuldade peemedebista é simples: desde seu início, no começo dos anos 1980, o PMDB foi a legenda que reuniu todos os perseguidos do regime militar – movimento que inspirou partidos conservadores e herdeiros da UDN e Arena, caso do PDS-PFL-DEM, PP e PR (antigo PL). Parte dos grupos conservadores (DEM) já está com Marconi Perillo. E o PP praticamente inteiro simpatiza com o tucano.

Isso significa que Iris precisa da articulação conservadora e coesa do grupo integrado pelo PP e PR – o que é praticamente impossível. Ao mesmo tempo, o partido de Iris tem a obrigação de unir a esquerda petista com militantes que defenderam a ditadura no passado. Em resumo, Iris juntará agora de um lado toda a base aliada do presidente Lula, mas sem esperanças de repetir o milagre nacional de juntar todos em um só palanque.

Fonte:
www.dm.com.br