Possível lista negra apavora população de Itaberaí. Homem foi arrastado por 3 km.

Uma série de crimes cruéis e violentos em Itaberaí,  mudou a rotina dos 33 mil habitantes e da polícia local, que busca respostas para as ações. Além de três assassinatos, é investigada ainda a existência de uma lista com o nome de dez pessoas marcadas para morrer. De acordo com o delegado Kleber Leandro Toledo Rodrigues, ainda não há fatos concretos que liguem um crime a outro, porém várias linhas de investigação foram definidas. “Surgiu o boato de que a lista teria sido colocada na boca de uma das vítimas, mas nada foi encontrado por peritos do IML. Diante disso, continuamos investigando isoladamente os casos, buscando chegar a um denominador comum”, diz.


A série de crimes começou no dia 9 deste mês, quando o corpo de Willian Carlos Souza Silva, 19 anos, foi encontrado dentro de uma represa da cidade, com um corte profundo no pescoço. A provável segunda vítima da “série de crimes” foi identificada no momento em que o corpo de Elismar de Brito Silva, 25, também apontado como possível “integrante da lista”, era periciado na manhã de domingo. Elismar teria sido arrastado por pelo menos três quilômetros em um carro na GO-165. “Recebemos uma denúncia anônima informando a existência do corpo de um homem enterrado nas terras do assentamento Santa Rosa, a 30 quilômetros de Itaberaí, em avançado estado de decomposição”, diz o delegado.

Um dos três casos foi elucidado, mas a polícia continua investigando as evidências que teriam motivado o crime. O desempregado Elton Camargo dos Santos, 19 anos, assumiu ter matado Willian a facadas e jogado no lago, alegando que a motivação foi uma dívida de R$ 50 que a vítima teria negado a pagar. A polícia investiga a possibilidade de que Elton tenha assumido o crime por medo de ser um dos componentes da “tal lista”. “A lista é o assunto do momento no setor. Todo mundo com medo, assustado. Teve até gente que mudou daqui depois dessa história, outros provocaram a polícia para ser preso. Tudo por desespero”, disse um morador do bairro que não quis se identificar.

De acordo com a polícia, nove pessoas já foram ouvidas, oito apenas de um inquérito. Mas a maior dificuldade da polícia é o silêncio dos moradores. “Ninguém sabe de nada, ninguém viu nada”, conta o delegado, que relaciona os crimes com o tráfico de drogas e diz acreditar em queima de arquivo, mesmo sem comprovação da existência da lista.

Itaberaí é, segundo a polícia, a cidade mais problemática dentre 22 da região. “Itaberaí há muito deixou de ser uma cidade pacata. A criminalidade tem crescido consideravelmente e a falta de estrutura da polícia não nos permite acompanhar”, avalia o delegado, que diz não ter viaturas nem agentes suficientes para atender as ocorrências e investigar os crimes. “Cerca de 500 processos estão parados por falta de efetivo”, desabafa. 



O delegado diz que a polícia investiga, especialmente, o que motivaria alguém a criar uma lista de vítimas. Para ele, esse tipo de pressão, geralmente, é criação de grandes líderes criminosos, por isso é preciso ficar atento a todos os indícios. “A região é dominada pelo tráfico de drogas, onde impera o poder paralelo.” 

Fonte: Versão On-line do Jornal Hoje