Anel viário divide opiniões em Itaberaí

26/11/2013


 Itaberaí, município cortado pela Rodovia GO-070 a 89 quilômetros de Goiânia, está prestes a ficar livre de um de seus maiores entraves urbanos. A Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop) decidiu construir um anel viário no entorno da cidade para retirar do centro da localidade o intenso tráfego diário de caminhões e veículos de passeio. Sobrepostos à GO-070, os seis quilômetros da Avenida Goiás em Itaberaí são responsáveis por cerca de 35% das ocorrências atendidas pelo Pelotão Bombeiro Militar (PBM) criado há um ano na região, grande parte delas com mortes.


Centenária, a antiga Curralinho surgiu há 145 anos distante do leito da rodovia, mas o desenvolvimento econômico que levou emprego, renda e divisas para a Itaberaí de hoje, também trouxe problemas. “Costumo dizer que a cidade cresceu sem postura e sem direção”, afirma o atual prefeito Carlos Roberto da Silva (PRTB). Grande comerciante local, como administrador público ele está diante de dois grupos de cidadãos: um formado principalmente por empresários da Avenida Goiás que defende a manutenção da rodovia cortando a cidade, e outro, composto de representantes de vários segmentos que reivindica o anel viário por causa da segurança. O segundo grupo, responsável por um abaixo-assinado com 10 mil assinaturas, parece estar vencendo a queda de braço.


Foi o que informou ao POPULAR, o diretor de Obras Rodoviárias da Agetop, Marcos Musse. À frente dos trabalhos de duplicação da GO-070 - já concluindo o trecho Inhumas-Itauçu -, o engenheiro explicou que o anel viário será mesmo construído por uma questão de segurança. Há um ano comandando o 6º PBM, cuja sede fica em Itaberaí, o tenente Eduardo de Melo explica que como muitos estabelecimentos comerciais surgiram ao longo dos seis quilômetros de rodovia no perímetro urbano de Itaberaí, faltam estacionamentos. “Motoristas param veículos na rodovia, há um afunilamento, mas também alta velocidade”, diz. Atropelamentos, acidentes com motos, colisões são frequentes na via. Muitos perderam a vida, outros convivem com sequelas físicas e emocionais.


Em setembro, lembra o tenente Eduardo de Melo, um carro do Samu que atendia uma grávida em trabalho de parto, foi alvo de uma colisão no trecho urbano da GO-070 de Itaberaí. Este, entretanto, foi um problema menor diante dos relatos de inconsequências e imprudências que se transformaram em tragédias. Hoje, atestam vários moradores, é muito difícil atravessar a via sem riscos.


Essa história começou no início dos anos 90 com o avanço industrial da Super Frango, o maior empreendimento local que não só emprega, mas também fomenta atividades de seus fornecedores, gerando um fluxo intenso de veículos pesados. Por outro lado, a GO-070 é via de acesso a municípios turísticos como cidade de Goiás e Aruanã e a rodovias de muito movimento de caminhões como a GO-164, conhecida como estrada do boi. Restaurantes, lanchonetes, hotéis, postos de combustível, lojas de produtos agropecuários, de auto-peças, entre outros, surgiram ao longo dos anos em função desse fluxo.

“Como cidadão vejo que há um grave problema de segurança. Não adianta um ou outro lado querer, se um estudo técnico indicar o anel viário, ele precisa ser construído”, afirma o prefeito Carlos Roberto da Silva. Alguns comerciantes também assumem dúbia posição. É o caso de José de Andrade, que por ganhar a vida na Avenida Goiás, teme a construção do anel viário. Entretanto, ele admite que os moradores de Itaberaí terão mais segurança.


Uma das defensoras do anel viário é a engenheira civil e de segurança Márcia Braga, inspetora em Itaberaí do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea). Ela explica que o trecho urbano da GO-070 nunca foi sinalizado adequadamente, nem para rodovia nem para avenida. “De 50 em 50 metros há abertura na ilha para retorno. E a todo momento caminhões carregados passam aqui a 80 quilômetros por hora. A prefeitura sempre disse que a sinalização é de responsabilidade da Agetop, mas deixa construir, não há um recuo mínimo de 5 metros”, afirma.

É o que vai acontecer no anel viário, garante Marcos Musse. “A sinalização e os recuos serão adequados, mas sabemos que um dia o anel viário também será engolido pela cidade. Haverá especulação imobiliária em torno dele. Cabe aos vereadores fazerem leis para garantir a segurança no futuro, caso contrário será um contrassenso”, afirma o diretor da Agetop.

 

Cotidiano de tragédias
 
Renata Alves de Andrade Freitas - empresária
A empresária sofreu politraumatismo depois que um motorista imprudente passou pelo carro onde ela estava com o marido e ao tentar fazer um retorno à esquerda logo em seguida freou bruscamente. A colisão jogou Renata e o marido para fora do carro. Ela teve nove fraturas, ficou quase dois anos afastada do trabalho e passou por várias sessões de fisioterapia.
 
Roseli Gomes - dona de casa
Em 2010, ela e o marido, que viviam na zona rural decidiram morar em Itaberaí para garantir estudos aos três filhos pequenos. Ele montou um lavajato. Ao sair um dia para comprar cera, ele se deparou com uma carreata na Avenida Goiás. No meio dos carros, uma carreta carregada de óleo vegetal. Um carro bateu no pneu da moto que rodou e foi parar embaixo do caminhão. O comerciante morreu na hora. “Tenho horror de passar ali”, afirma Roseli.
 
Marcus Raimundo Ribeiro Caldas - balconista 
O rapaz estava de motocicleta trafegando pela avenida quando um caminhão freou em um dos quebra-molas. Um carro que vinha atrás, para não bater, desviou e colidiu com a motocicleta. Marcus fraturou o pé e hoje precisa de muletas para se locomover.


Anel viário veja os dados sobre as três obras que o governo está construindo: 26 de novembro de 2013 (terça-feira) O anale viário de Itaberaí integra as obras de duplicação da GO-070, trecho Itauçu-Itaberaí. Terá 9 quilômetros em pista dupla. Vai contornar a cidade iniciando logo após a fábrica de ração da Super Frango e terminando depois do trevo da GO-070 que dá acesso a Americano do Brasil.Uma nova ponte sobre o Rio das Pedras será construída. O custo da obra, já licitada, é de R$ 50 milhões. O valor total do trecho Itauçu-Itaberaí, incluindo o anel viário, é de R$ 100,3 milhões. A entrega está prevista para o primeiro semestre de 2014. A distância do perímetro urbano vai variar de 800 a 2 mil metros, em média.



Fonte: Opopular



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